Ter “crises de ciúmes” é praticamente um ritual de passagem para todos os primogênitos. No entanto, a maneira como você lida com isso pode afetar como o seu filho se relacionará com o irmão e se serão amigos ou inimigos na jornada da vida. Estas dicas ajudarão você a guiar seu filho mais velho por esta incrível etapa cheia de novidades.

O que você pode esperar

Crianças pequenas podem ficar muito sensíveis com a chegada de um novo bebê. Especialmente as menores de 3 anos de idade, esta fase costuma ser o momento mais difícil para um primogênito aceitar um novo bebê, já que é uma idade onde as crianças estão bastante vinculadas à mãe e ainda necessitam de cuidados exclusivos. Isso tudo pode aumentar o ciúme entre irmãos e a resistência a aceitar o bebê como um membro pleno da família. Entretanto, não há regras absolutas para quando e como o ciúmes se manifesta em cada família e criança, mas é possível que seu filho sinta algum incômodo com as mudanças na rotina já nas primeiras semanas com o novo bebê em casa. Algumas vezes esse incômodo não aparece nas primeiras semanas mas apenas quando o bebê aprende a engatinhar e a se locomover para pegar os objetos e brinquedos de seu filho mais velho. O fato é: cedo ou tarde e de uma ou outra maneiras, as crianças, no geral, apresentarão mudanças no comportamento com a chegada de um novo bebê, ocasionadas pelo período de intensas emoções na família e, sobretudo, pelas alterações na rotina e na vida da mãe.

Muitas crianças ficam chorosas ou “grudentas”, especialmente depois que a novidade de ter um novo bebê em casa desaparece. As crianças podem querer mamar de novo se tiverem sido desmamadas ou beber de uma mamadeira quando estiveram alegremente usando um copo de canudinho há meses. Os rituais da hora de dormir podem se arrastar e colidir tragicamente com o período agitado de seu bebê. Além disso, uma criança que tenha dormido em sua própria cama pode, repentinamente, querer dormir na sua, especialmente se o bebê estiver no seu quarto. E se a criança estiver dormindo durante a noite, ela pode começar a ter pesadelos ou acordar e querer entrar em ação quando ouvir o bebê no meio da madrugada. A maioria das crianças na primeira infância se sente muito conflituosa em relação a um novo bebê: Por um lado a criança gostaria de voltar a ser bebê e receber atenção exclusiva da mãe, mas por outro lado há a parte que diz “Eu posso fazer muitas coisas sozinho”, que quer e gosta da autonomia e da independência conquistada.

As crianças mais velhas, entre 4 e 6 anos, geralmente tendem a ser mais compreensivas e podem ser bastante sensatas quanto à introdução de um novo irmão em sua rotina. Então, se o bebê baba ou regurgita um pouco de leite sobre ela, é mais fácil explicar que ele não fez isso de propósito. E se o bebê tentar mexer em seus brinquedos, você pode ajudá-la a guardar seus favoritos para que o bebê não possa alcançá-los. Você também pode pedir ajuda para separar os brinquedos com peças pequenas e com risco de asfixia que devem sempre ser mantidos fora de alcance do bebê. As crianças nessa faixa etária têm melhores habilidades de enfrentamento, e capacidade de se revezar ou esperar a vez por um lanche, uma história, etc. Elas também têm mais vida própria, entre escola, amigos e atividades. O mundo de seu filho está se ampliando e ele não depende tanto de você. Ainda assim, os pais continuam sendo as maiores figuras de apego da criança, e se ela não está recebendo a atenção que precisa, ela pode temer que esteja sendo deixada para trás ou esquecida. Por isso, mesmo as crianças com mais idade ainda tendem a manifestar alguns comportamentos desafiadores de transição, mas que são absolutamente normais devido à grande novidade vivida.

S, mesmo que seja apenas uma história de 15 minutos, enquanto o bebê está nos braços do pai ou de outra pessoa. Lembre-se de sorrir quando seu filho entrar na sala ou no quarto que você estiver. (Não é preciso muita energia para sorrir e dar abraços e beijos a um pequenino que pode precisar deles.) Um tempo exclusivo com o filho mais velho é o melhor antídoto para o seu medo de abandono. Mesmo que seja apenas uma ida ao supermercado, convide-o para fazer tarefas diárias com você enquanto o bebê estiver com outra pessoa. E quando o bebê fizer coisas que podem chatear seu filho mais velho, seja sua advogada: conserte o livro rasgado; Console-o com uma música suave, um abraço, diga: “Eu sei que pode estar sendo difícil, mas você está se saindo muito bem! Me dê um abraço, vamos respirar fundo juntos”.

Procure alternativas para acalantar os dois ao mesmo tempo, ou, amenizar a necessidade de atenção do mais velho. Se ele lamenta e pede que você o carregue, mas você está ocupada cuidando do bebê, diga a ele: “Você está triste porque eu não posso te pegar agora. Estou triste também. Venha se aconchegar ao meu lado e ao lado do bebê. E quando eu terminar aqui, vamos nos abraçar todos!”

N Tente algo como: “Parece que você realmente quer ser um bebê agora também”, “vejo que você está feliz agora”, “acho que você pode estar cansado”.

Para ajudar seu filho a se adaptar à sua nova rotina, planeje com antecedência, ainda na gravidez, a nova rotina do seu filho. As rotinas de dormir inevitavelmente são encurtadas quando o novo bebê chegar, então, estruture-as o quanto antes. Se seu filho está acostumado dormindo com a mãe e com a mãe preparando o café da manhã, faça a transição para o pai. O pai pode dizer o quanto está animado por ter um tempo com o filho no turno da manhã ou ler novas histórias de dormir escolhidas pela criança mais velha em um dia especial com o pai na livraria. Se o plano é fazer o bebê dormir no berço do seu filho mais velho, leve-o para a nova cama meses antes de o bebê chegar (ou compre outro berço). Faça estes ajustes e transições na rotina antes que o bebê nasça. Também é importante evitar culpar o bebê, mesmo que não intencionalmente, por quaisquer mudanças negativas na casa — isso é uma receita para o ressentimento.

Faça o possível para envolver seu filho mais velho com o bebê. Convide-o a ajudar a enrolar uma toalha ao redor do bebê quando você tirá-lo da banheira, incentive que seu filho mais velho para que leia uma história para o bebê ou que o distraia com uma música durante uma troca de fralda, ou ainda, que faça movimentos circulares em sua barriguinha na hora da massagem do bebê. Mas tenha cuidado para não exigir que ele seja uma espécie de “cuidador mirim”, o que poderia rapidamente se tornar um fardo.

Outras maneiras de ajudar seu filho a se ajustar à nova rotina

  • Não tente impedir ou desejar que seu filho não demonstre emoções negativas com a chegada do bebê. É completamente normal uma fase de instabilidade e ciúmes. Lidar com isso de forma positiva será benéfico para toda família;
  • Faça o melhor que puder para entender as emoções do seu filho
  • Reconheça e reforce sempre que a criança estiver sendo gentil e amável com o bebê.
  • Saiba que o ajuste do irmão mais velho para um novo bebê é um processo contínuo e que precisa de alguns meses para se estabelecer.
  • Sempre que possível tente aproximar e fortalecer a relação entre os irmãos: faça ensaios fotográficos com os irmãos, revele as fotos e pendure pela casa, faça um desenho ou ilustração dos irmãos.
  • Deixe que o irmão mais velho carregue, abrace, beije e cheire o bebê, com sua supervisão e cuidado.
  • Peça ajuda para organizar as coisas do bebê.
  • Dê um boneco ou boneca para representar o bebê que seu filho deverá cuidar junto com você.
  • Leia livros infantis com seu filho sobre a chegada de um novo bebê
  • Faça atividades lúdicas, artísticas e criativas com seu filho mais velho e garantam tempo de muita qualidade juntos.
  • Olhe nos olhos de seu filho e diga o quanto o ama e o quanto ele é importante para você e para o bebê.
  • Caso seu filho tenha expressado emoções negativas e até alguns ataques físicos ao novo bebê, manifeste sua reprovação a ação, mas não ao seu filho, dizendo frases como “Eu amo você e sei que pode estar sendo difícil, mas não é certo beliscar seu irmãozinho, ele sente dor e fica triste com isso e eu também”. Jamais leve para o pessoal, saiba que isso é normal, (especialmente em crianças menores de 3 anos), respire fundo e dê um tempo a ele. Em um outro momento, reforce a importância do amor e paciência ao novo bebê por todos da família.
  • Explique o quão importante e amado ele é. E o quanto eles brincarão juntos assim que o irmão crescer. Você pode nomear as brincadeiras e atividades preferidas de seu filho, e encorajá-lo que logo logo ele e o irmão poderão se tornar grandes parceiros de aventuras.
  • Seja paciente e tente compensar sua ausência de outras maneiras. Tenha em mente que esta fase, assim como outras, também passará.
  • Os comportamentos difíceis desta fase só devem representar preocupação se perseverarem, piorarem ou estiverem causando algum sofrimento muito intenso à criança. Nesses casos é recomendável que os pais procurem ajuda especializada.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *